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Novidades
Peixe desenvolve espelho nos olhos para ver no escuro - 21/01/09
Cientistas da Alemanha e da Grã-Bretanha descobriram que uma espécie de peixe que vive no fundo do Oceano Pacífico é o único animal vertebrado que desenvolveu espelhos para enxergar.
James Morgan
O peixe, Dolichopteryx longipes, já era conhecido há 120 anos, mas nunca havia sido capturado vivo.
No ano passado, cientistas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, conseguiram pegar uma espécime viva nos litorais do arquípélago de Tonga.
Testes confirmaram que o animal utiliza os espelhos para captar e concentrar luz em seus olhos, segundo artigo publicado pelos pesquisadores na revista espeicalizada Current Biology.
Luminosidade
"Em quase 500 milhões de anos de evolução dos vertebrados, esta é a primeira vez, pelo que se sabe, que um animal resolveu com espelhos o principal desafio óptico que todos os olhos enfrentam - o de formar uma imagem", disse Julian Partridge, da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, que realizou os testes com o peixe.
O animal parece ter quatro olhos, mas tecnicamente, possui apenas dois - cada um se divide em duas partes conectadas.
Uma das partes dos olhos aponta para cima, ajudando o peixe a capturar os fracos feixes de luz que vêm da superfície do mar, cerca de mil metros acima.
A outra parte parecem "calombos" nas laterais da cabeça, e apontam para baixo.
"Como a mil metros de profundidade há muito pouca luz, esse peixe se adaptou para conseguir captar o máximo possível dessa luminosidade", explicou Partridge.
"O que ele faz é procurar flashes da luz bioluminescente de outros animais. Assim ele sabe da presença desses animais, principalmente abaixo da sua barriga vulnerável."
Os espelhos são formados de lâminas minúsculas, provavelmente compostas de cristais de guanina e dispostas em camadas.
"O uso de espelhos deve oferecer a este peixe uma vantagem enorme nas profundezas do mar, onde a capacidade de perceber o mínimo de luz pode fazer a diferença entre comer e ser comido", disse o cientista.
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Violência contra a mulher cresce quase 60% no Acre - 21/01/09
Violência contra a mulher cresce quase 60% no Acre
Local: Rio Branco - AC Fonte: A Tribuna Link: http://www.jornalatribuna.com.br/
Gilberto Lobo
Nos 269.977 atendimentos realizados em 2008, a participação das unidades da federação foi diferenciada. O cruzamento do número de atendimentos para cada 50 mil mulheres, por estado, revelou que do Acre foram feitas 390 ligações. Para uma população com pouco mais de 300 mil mulheres houve crescimento de 59,8% em relação ao ano anterior.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180: serviço 24 horas vinculado à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República) registrou 269.977 atendimentos de janeiro a dezembro de 2008 – um aumento de 32% em relação ao ano de 2007 (204.978).
Vários fatores contribuíram para esse crescimento, e um deles foi a maior divulgação da Lei Maria da Penha, além de melhorias tecnológicas e capacitação das atendentes. Parte significativa desse total se deve à busca por informações sobre a Lei Maria da Penha, que registrou, em 2008, 117.546 atendimentos contra 47.975, em 2007. O crescimento corresponde a 245%.
Em comparação a 2007, O número de chamadas aumentou 32%.
O interior é mais violento
Segundo a Secretaria, os casos de violência contra a mulher são mais freqüentes nas zonas rurais e nas florestas principalmente na Amazônia, o que não significa que também seja elevado o número de ligações-denúncia. A Região Norte é a que apresenta o menor quantitativo de ligações. O motivo pode ser a falta de divulgação do serviço na região.
O Distrito Federal foi o que mais entrou em contato com a Central, com 351,9 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar está São Paulo (220,8) e Goiás em terceiro (162,8). |
70% das UTIs no País estão fora do padrão de atendimento humanizado. - 21/01/09
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Locais não têm estrutura e equipe adequadas, além de restringir participação da família; há ainda déficit de vagas
Cerca de 70% dos 3.500 leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) no País não estão minimamente adequados ao modelo de humanização considerado ideal por especialistas da área, segundo dados da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (Sobrati). Estudos recentes indicam que detalhes simples, como a presença de janela e relógio no quarto - para que o paciente tenha noção de tempo - e maior contato com familiares durante a internação são decisivos não só para a recuperação mais rápida, mas também para evitar sequelas físicas e psicológicas que podem atrasar o retorno à vida normal.
"Durante muito tempo, a única preocupação dos profissionais da área foi salvar vidas. Mas nos últimos 15 anos começou a haver um cuidado com a qualidade de vida do paciente após a internação. Isso está ligado ao aumento da sobrevida", diz Álvaro Réa, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). "Estudos indicam que muitos pacientes levam de 6 a 12 meses para voltar às atividades normais por causa das sequelas."
Segundo o psiquiatra Marcelo Feijó de Melo, da Unifesp, é comum entre pacientes que passaram por longas internações a síndrome do stress prós-traumático. "Esse quadro é grave e limita muito a vida do paciente pós-UTI." O índice de licenças e aposentadorias precoces entre os portadores da síndrome chega a 40%, afirma o psiquiatra.
Mas algumas medidas podem minimizar o impacto negativo. Ter a família perto o maior tempo possível é um dos fatores mais importantes apontados por especialistas, bem como o acompanhamento de psicólogos e fisioterapeutas. A presença de relógio e janela no quarto, para que o paciente tenha noção de dia e noite, ajuda o organismo a manter seu ciclo natural. Usar o mínimo de sedação, apenas o suficiente para que o paciente fique confortável, evita que ele sofra alucinações e adquira dificuldades cognitivas em consequência das drogas.
O Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, adota a rotina do despertar diário, conta Guilherme Schettino, responsável pela unidade. "Durante um período do dia, suspendemos a sedação para que o paciente fique acordado. Explicamos a ele e a família todos os procedimentos que estão sendo feitos. Isso diminui a angústia."
Minutos antes de passar por uma nova cirurgia, a secretária Aurea Soares, de 48 anos, relatou a experiência de cinco dias na UTI do Sírio-Libanês, vivenciada em dezembro do ano passado. "Não parece que você está num hospital. O quarto era individual, tinha computador, TV e meus familiares puderam ficar comigo o tempo todo, conta Aurea, que teve câncer, sofre de diabete e passou por um cateterismo para colocar dois stents. "É um período em que você está muito mal, não sabe se vai ou se fica. Saber que tem profissionais 24 horas por perto deixa você mais segura."
"Em hospitais como o Sírio-Libanês, Albert Einstein e Nove de Julho as UTIs atendem a todos os critérios ideais de humanização. Mas isso é para poucos", diz o presidente da Sobrati, Douglas Ferrari. "Estimamos que 25% dos brasileiros tenham plano de saúde e, desses, apenas 5% têm acesso a esse modelo top." Em todo o País, apenas 30% das UTIs atendem aos requisitos mínimos do modelo ideal de humanização. "A maioria não tem psicólogo e limita muito o acesso da família."
Ferrari aponta outro dado alarmante: o déficit de leitos de UTI no País está em torno de 50%. A situação é mais grave na área pediátrica e de neonatologia, onde o déficit chega a 70%. "O processo de humanização não estará completo enquanto houver crianças esperando um leito nos corredores de hospitais, num momento em que um respirador faz a diferença entre vida e morte."
A falta de leitos foi um dos problemas que levaram a UTI neonatal do Hospital das Clínicas de Pernambuco a suspender novos atendimentos. Um dia após a divulgação da suspensão, que também ocorreu por causa de um surto de infecção que atingiu pelo menos seis bebês, o Ministério Público estadual anunciou ontem a realização de uma audiência pública sobre o caso. O objetivo é buscar providências para as consequências causadas pelo surto infeccioso.
Ontem, de acordo com informações da coordenação médica da unidade, os bebês infectados permaneciam sob tratamento com antibióticos. A previsão, segundo a assessoria de imprensa, é de que o atendimento seja normalizado em dez dias.
FALTA DE VAGAS
50% é o déficit de leitos de UTI no País. Na área de neonatologia o número chega a 70%, segundo a Sobrati
6% dos leitos hospitalares deveriam ser destinados à alta complexidade, segundo a ONU. Mas no Nordeste a taxa é menor que 3%; no Norte, é de 1,7%
Fontes: Idec e Portal do Consumidor | |
Shell paga multa de US$1 milhão por poluição em Porto Rico - 21/01/09
Shell paga multa de US$1 milhão por poluição em Porto Rico
A Shell Chemical Yabucoa Inc, de Porto Rico, concordou em pagar US$1,025 milhão de multa e investir pelo menos US $273,800 para melhorar o controle e monitoramento de sua poluição como forma de remediar a violação ao Clean Water Act , lei que estabelece as regras para a preservação da água nos Estados Unidos. O acordo foi assinado pelo Departamento de Justiça na Corte Federal do Distrito de Porto Rico juntamente com o detalhamento das recentes violações legais da Shell.
"Este acordo sela a solução para uma longa série de graves violações," disse o administrador regional do órgão ambiental norte-americano (EPA) Alan J. Steinberg. "Ele representa não somente o pagamento da Shell pela poluição atual mas dá passos importantes para prevenir futuros problemas".
As instalações da Shell, compradas da Puerto Rico Sun Oil, LLC em 2001, tem permissão da EPA para despejar efluente tratado de acordo com o National Pollutant Discharge Elimination System, mas não estavam atendendo ao regulamento quando foram compradas. O sistema é uma exigência do Clean Water Act.
A EPA e a Shell estabeleceram as etapas para regularizar o funcionamento depois da compra. Mas a Shell não atendeu ao combinado despejando poluentes acima do limite na Santiago Creek (Quebrada Santiago) e no Caribbean Sea (Mar Caribe) em locais não permitidos e sonegando informações sobre datas de descarga. Embora as operações da petroquímica tenham sido encerradas em julho de 2008 a empresa continuou usando os equipamentos e as docas.
O ajustamento de conduta obriga a Shell a, entre outras medidas:
• Pagar a multa de US$1,025,000. • Fornecer amostras do efluente contaminado que é descarregado. • Inspecionar a tubulação que apresentou vazamento a cada seis meses para se assegurar de que não aconteceram novos rompimentos. • Criar um mapa de drenagem do entorno das instalações; • Implementar melhores prática de gestão das instalações de descarga de efluente. • Melhorar o plano de prevenção da poluição de suas instalações e submetê-lo à EPA e ao Puerto Rico Environmental Quality Board.
E se forem retomadas as atividades de petroquímica no local a empresa deve instalar um reservatório com capacidade para armazenar 6 milhões de litros de efluentes contaminados.
Fonte: http://www.aguaonline.com.br/materias.php?id=2741&cid=11&edicao=420 |
Poluição das Praias - 21/01/09
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Poluição das praias
Natália Ribeiro do Valle.
Estou cansada, apesar dos meus poucos 28 anos, desta falta de responsabilidade. Os brasileiros se adaptaram a fingir que não estão vendo as coisas erradas acontecendo para não terem o trabalho de arrumar a casa. Fingem que só fazem o bem, que estão alicerçados em princípios sólidos de ética e moral. Fingem que são decentes. Ou, pior, acreditam que são espertos por agirem dessa maneira.
Este texto é um desabafo que escrevi na madrugada do dia 1º de janeiro de 2009, quando um novo ano se iniciava e eu deveria estar cheia de esperança. Ao invés disso, meu desespero me tirou da cama. A cena que presenciei no último dia de 2008 não saía de minha cabeça.
Na tarde de 31 de dezembro de 2008, resolvi, em companhia de meu marido, sair para tomar um banho de mar na Praia das Toninhas. Mesmo sabendo, mas fingindo não saber, como é o costume do povo brasileiro, que há mais de 20 anos ali vem sendo despejado esgoto advindo dos Condomínios Wembley, um fiozinho de esperança me restava. Algo poderia ter mudado. Afinal, chegam a milhares os telefonemas para a Cetesb e outros órgãos responsáveis pelo meio ambiente, pela saúde e pelo saneamento durante os últimos anos. Eu e minha família seguramente fomos responsáveis por centenas deles.
Infelizmente, bastou nos aproximar para perceber que tudo permanece como antes. Assim mesmo, decidimos ficar na praia para caminhar até a outra ponta e tomar distância desses condomínios e seus fétidos esgotos.
Para nossa surpresa o riacho, localizado ao lado da antiga casa noturna Sunset, estava, sem exageros, marrom e fedendo. Nunca havia visto aquele riacho tão cheio. E, pelo visto, com a maré alta, as coisas só pioram. O que mais me chocou foi ver as pessoas se banharem, incluindo crianças, fingindo não estarem percebendo e assim não precisando perder seus preciosos momentos de lazer e férias para ir aos órgãos públicos reclamar. Afinal isso dá trabalho, eu bem sei. Ficamos ilhados. Atravessar aquele riacho sem tocá-lo era impossível e tivemos que voltar.
O pior foi ter que ouvir de um funcionário que não há problema em lançar esgoto ao mar. O tom do atendente não escondia sua indiferença. Afinal, o que pretendia aquela chata ligando insistentemente durante o Natal e o Ano Novo, quando o esgoto é mais volumoso em razão da total ocupação dos apartamentos daquele condomínio nessa época? Acabar com seus dias? Fazê-lo se deslocar até o local? Só por causa de uma avalanche de dejetos lançada ao mar, onde se banham crianças, mulheres, famílias inteiras?
Ainda pior foi ouvir de outro funcionário, "bem intencionado", que o esgoto desses condomínios é tratado. Mas o cheiro arde em meu nariz sempre que passo pelo local. Será esse cheiro fruto da minha fértil imaginação?
Escrevi como um desabafo, mas espero solução. Por isso, aproveito para apelar ao Ministério Público Federal e Estadual, bem como ao prefeito de Ubatuba e ao governador do Estado de São Paulo, para que tomem as medidas cabíveis com a urgência que a situação merece. Alerto que as denúncias que eu e minha família fizemos a todos os órgãos, desde a primeira semana de dezembro, não tiveram qualquer resposta, e estão devidamente documentadas.
Comentário do leitor (2)
O problema todo, ou ao menos em sua grande parte, não é de difícil solução. Basta vontade política de se criar uma lei obrigando a que os condomínios tratem seus dejetos antes de os lançarem no meio ambiente; e a obrigatoriedade de projeto já previsto na planta para novos empreendimentos.
Marco Antonio.
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Fonte: http://www.aguaonline.com.br/materias.php?id=2743&cid=7&edicao=420 |
Novas regras permitem troca de plano de saúde sem perda de carência - 21/01/09
Novas regras permitem troca de plano de saúde sem perda de carência
'Portabilidade' valerá para planos individuais feitos a partir de 1999.
Cerca de 6 milhões são beneficiários de planos individuais no Brasil.
A Agência Nacional de Saúde (ANS) irá mexer nas regras dos planos de saúde. Uma resolução que deve ser publicada nesta quinta-feira (15) no “Diário Oficial da União” vai criar a chamada portabilidade dos planos: a partir de abril - três meses após a publicação - será possível mudar de empresa e transferir a carência já cumprida no plano anterior.
Muitos dos beneficiários de planos estão insatisfeitos. É o caso de dona Luzia, que não se conforma com o aumento de 120% na mensalidade. Mas, mesmo insatisfeita, ela não quer arriscar uma troca. “Tenho medo de ter carência, depois precisar e não ser atendida”, diz ela.
A portabilidade não vale para todos, mas apenas para quem tem plano de saúde individual e com o contrato assinado depois de 1999. São 6 milhões de brasileiros. Mas, para mudar de plano sem ter que cumprir nova carência, o consumidor vai ter que obedecer a algumas regras.
É preciso estar com o pagamento em dia e ser cliente do convênio médico há, pelo menos, dois anos. Para quem tem doenças pré-existentes, a primeira troca só pode ser feita depois de três anos na empresa.
O prazo é questionado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Idec. A ANS diz que “a nossa intenção é que as pessoas não cumpram uma carência numa operadora e imediatamente se movam para uma seguinte, porque isso geraria na verdade um desequilíbrio econômico no setor”, afirma Fausto Pereira dos Santos, presidente da agência.
Carência
Os demais períodos de carência continuam os mesmos. O que acaba é a necessidade de cumprir a carência mais de uma vez a cada troca de plano.
Para gravidez, 300 dias; consulta, exames, internações, cirurgias e procedimentos de alta complexidade, 180 dias. Para doenças pré-existentes, dois anos; e para urgências e emergências, 24 horas.
O pagamento precisa estar em dia, e o consumidor deverá ser cliente da empresa há pelo menos dois anos. No caso de doenças pré-existentes o prazo é de três anos.
A troca só poderá ser feita para planos parecidos que tenham a mesma cobertura. A ANS vai definir cinco faixas de preço e o consumidor só vai poder mudar para um plano com faixa de preço igual ou inferior ao seu atual. A cada dois anos, o consumidor poderá trocar de plano durante dois meses do ano - entre o primeiro dia útil do mês de aniversário do contrato e os 60 dias seguintes.
Planos coletivos
Mas, para o Idec, os planos coletivos - como os de funcionários de empresas - deveriam estar incluídos. “O Idec acha prejudicial porque a maior parte do mercado de planos de saúde é formada de planos coletivos”, diz a Juliana Pereira, advogada da organização.
Fausto, da ANS, responde que “os planos coletivos hoje, por regra, a partir de 50 beneficiários eles já são livres de carência e somente os que são abaixo de 50 beneficiários é que não têm essa previsão. De qualquer forma essa é uma regra inicial”.
A ANS quer que as novas regras aumentem a concorrência e qualidade no atendimento de saúde. É o que espera a família Santos, que só conseguiu internar o filho depois de brigar com o plano na Justiça. “Talvez eles tenham mais preocupação em atender as pessoas e cumprir essas regras pra que outras pessoas não passem pelo que nós passamos”, diz a professora Kelly Santos.
Multa
Segundo a agência, qualquer tipo de discriminação, por idade ou doença, será proibida. A operadora que descumprir as novas regras ou cometer discriminação será punida com multa de R$ 30 mil a R$ 50 mil.
Fonte: http://www.portaldoconsumidor.gov.br/noticia.asp?busca=sim&id=12512 - 21.01.09
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Motorista que colidiu na traseira por culpa do veículo da frente recebe indenização - 13/04/07
Motorista que colidiu na traseira por culpa do veículo da frente recebe indenização
Nem sempre a culpa pela colisão na traseira de veículo é do motorista que seguia atrás. Se for comprovado que a causa determinante da batida foi imprudência do motorista do veículo que seguia à frente, este é o responsável.
Esse foi o caso de um processo julgado pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Uma dona de casa de Juiz de Fora, Zona da Mata, que freou bruscamente seu carro e provocou a colisão com o veículo que seguia atrás, foi condenada a indenizar o proprietário deste, contador, por danos materiais, em R$1.108,90.
A colisão ocorreu em 29 de outubro de 2005. Surpreendido pela parada brusca do carro da dona de casa, para efetuar uma conversão irregular à esquerda, o contador, que seguia atrás, não conseguiu frear o veículo, ocorrendo a batida. Foi feito um boletim de ocorrência e a seguradora com a qual a dona de casa mantinha contrato foi acionada. Os dois veículos, então, foram encaminhados às oficinas credenciadas, para reparação.
Foi realizada uma avaliação e, um dia depois, o contador foi informado de que o seu prejuízo não seria ressarcido pela seguradora, sob a alegação de que a culpa pela colisão foi dele. Diante disso e impossibilitado de dirigir um veículo com defeito, o contador arcou com o prejuízo, pagando R$1.108,90 pelo conserto.
Ele ajuizou ação de indenização contra a dona de casa, pleiteando o ressarcimento do prejuízo e também indenização por danos morais.
O juízo da 3ª Vara Cível de Juiz de Fora acatou o pedido com relação aos danos materiais, condenando a dona de casa a indenizar o contador em R$1.108,90, mas negou a indenização por danos morais. A seguradora foi condenada a ressarcir à dona de casa o valor da condenação.
A dona de casa recorreu, alegando que a culpa pela colisão foi do contador, que dirigia acima do limite de velocidade permitido e, se estivesse atento ao volante, poderia ter evitado a colisão.
Contudo, os desembargadores Roberto Borges de Oliveira (relator), Alberto Aluízio Pacheco de Andrade (revisor) e Pereira da Silva (vogal) mantiveram a sentença. Eles ponderaram que não foram comprovadas as alegações da dona de casa sobre excesso de velocidade do veículo do contador.
O relator destacou que a própria dona de casa reconheceu para o policial, no momento da realização do boletim de ocorrência, que a causa do acidente foi sua parada brusca e inesperada e que o contador não teve como evitar o choque. Dessa forma, ela deve responder pelos danos provocados.
Citando jurisprudência, o relator ressaltou ainda que, no caso de colisão por trás, a culpa é presumida do condutor do veículo que colidiu na traseira do outro, mas fica excluída se provado que a causa determinante do sinistro é tributada ao motorista do veículo que seguia à frente. 13.04.07.
www.tjmg.gov.br |
Greenpeace alerta para desmatamento das florestas do Congo - 11/04/07
Greenpeace alerta para desmatamento das florestas da R.D. do Congo
Bruxelas, 11 abr (EFE).- A organização ambientalista Greenpeace denunciou hoje o desmatamento em massa na República Democrática do Congo (RDC) com uma ação na qual vários ativistas simularam a poda das árvores de um parque de Bruxelas.
Escavadeiras, motoserras e outras ferramentas usadas habitualmente na poda da floresta tropical da RDC, a segunda maior do mundo, atrás da Amazônia, foram usadas pelos ecologistas para a destruição fictícia do Parc du Cinquantenaire.
O Greenpeace iniciou assim uma campanha de sensibilização que levará por toda a Europa a fim de denunciar a poda em massa das florestas da ex-colônia belga, o quinto país do mundo em termos de biodiversidade.
"Dez sacos de arroz, cinco bicicletas e um carrinho de mão em troca de milhares de hectares de floresta? Não é nenhuma ficção, mas a realidade cotidiana na República Democrática do Congo", afirmaram os ecologistas na apresentação da iniciativa.
O Greenpeace pediu hoje às autoridades belgas que ajudem o Governo congolês a frear a expansão da indústria florestal no país e a evitar o espólio de seus recursos naturais.
Os ecologistas calculam que a vida de aproximadamente 40 milhões de pessoas no país depende das florestas, que lhes fornecem alimento, energia e plantas medicinais.
As florestas da bacia do rio Congo - que se estendem por Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Gabão e Congo - são o lar de 270 espécies de mamíferos, entre elas o gorila e o chimpanzé, e de mais de 3 mil espécies vegetais únicas no mundo. 11.04.07.
Fonte: http://bichos.uol.com.br/ultnot/efe/ult2629u676.jhtm |
Agressão verbal a árbitros de futebol não justifica pedido de indenização - 09/04/07
Agressão verbal a árbitros de futebol não justifica pedido de indenização
“Somente o fato da ocorrência de agressão verbal a um árbitro, não gera o direito à indenização por danos morais. Se assim fosse, tal fato tornar-se-ia fonte inesgotável de renda”. Nessa reflexão, o juiz da 14ª Vara Cível de Belo Horizonte, Estevão Lucchesi de Carvalho, não acatou os pedidos de indenização por danos morais, feitos por um árbitro de futebol e seu assistente.
O magistrado avaliou as adversidades presentes no meio futebolístico e concluiu que não há quem participe do evento que escape de um dissabor. Mas, ressaltou: “não se quer, aqui, legitimar ações grotescas, como xingamentos e outros fatos depreciativos, mas é relevante notar que cabe à própria Federação Mineira de Futebol, ou ao próprio time envolvido, corrigir e punir atos que possam constituir transgressão de conduta ou que possam acarretar, nos campos, ambiente não adequado e que acabam por insuflar violência”.
Os árbitros, integrantes do quadro da CBF, relataram que foram escalados para arbitrarem uma partida de futebol entre duas equipes mineiras, numa disputa pelo Campeonato Mineiro de 2004. Num certo momento do jogo, um pênalti foi marcado. Por discordarem dessa marcação, o técnico, o dirigente esportivo e outros integrantes da equipe contestaram e invadiram o campo. Após o controle do tumulto, o árbitro expulsou o técnico do time em razão de agressões verbais e da invasão de campo. O dirigente do clube concedeu entrevistas a inúmeras emissoras de rádio e televisão, com dizeres infames e indecorosos contra os árbitros.
Segundo os árbitros, os atos feriram a moral, a honra e a dignidade deles, causando-lhes danos irreversíveis. Alegaram que as injúrias e as acusações geraram grande repercussão na imprensa. A situação causou-lhes aflição, angústia e desequilíbrio em seu bem estar psicológico. Depois do ocorrido, eles mal podiam sair de casa. Disseram que não são criminosos, marginais ou ladrões, como foi bradado. “São pais de família, homens que espelham o crescimento e formação dos filhos”, desabafaram.
Pediram indenização em face do clube de futebol, do técnico e do dirigente desportivo.
Os acusados argumentaram que não tiveram a intenção de ofender moralmente os árbitros. Agiram com exaltação provocada pela situação, e que todo o comportamento foi fruto de erro dos árbitros.
O magistrado falou que os árbitros são “reconhecidamente” pessoas qualificadas no cenário nacional, e profissionais de grande experiência. Considerou que avaliar e julgar os fatos em fração de segundos, sem o recurso dos diversos ângulos proporcionados pela TV, é missão difícil. Por isso, “são passíveis de justificáveis erros e merecedores de nossa maior compreensão”, avaliou.
O juiz lembrou que o futebol é a paixão dos brasileiros. Ressaltou que, dentro dos campos, ocorrem fatos que, em outros locais, seriam tidos como irregulares ou nocivos, mas, em face dos sentimentos ali colocados, não podem ser supervalorizados. A linguagem desabrida, nessas circunstâncias, nem sempre será considerada ofensa à honra pessoal. Ela deve ser avaliada com reserva, porque usada em situação de extrema emoção e estresse. “Embora reconheça que ainda estamos longe de sermos uma nação mais civilizada, seria quase impossível imaginarmos uma partida de futebol completamente isenta de emoções mais hostis ou discussões indesejáveis”, ponderou.
Nesse raciocínio, o magistrado concluiu que o abalo psicológico que os árbitros alegaram ter sofrido “é decorrente de um fato natural à seara futebolística, próprio das partidas competitivas deste esporte, não sendo plausível ou prudente cobrar de quem quer que seja pelos dissabores inerentes a esse tipo de atividade”.
Essa decisão está sujeita a recurso. 03.04.07.
Fonte: www.tjmg.gov.br |
Deus feito de pão - 08/04/07
DEUS FEITO DE PÃO
* Frei Betto
Quem ainda brinca de criança no domingo de Páscoa e esconde ovos de chocolate no jardim? Resta em nós uma perene idade da inocência. A ternura denuncia a veracidade do amor, sublinha Milan Kundera. Recôndito no qual evocamos, nostálgicos, as missas de domingo, as procissões sob andores cercados de velas, o toque salvífico da água benta, o silêncio acolhedor de igrejas que o gótico não teve vergonha de desenhar como vulvas estilizadas.
Jesus ressuscitou! Celebra esta festa de aleluias. Ainda que a razão não alcance a dimensão do fato pascal, a intuição capta a crise da modernidade a nos induzir a um mundo sem mistérios e enigmas. Mundo sombrio, onde os mortos se sobrepõem aos vivos.
Até o advento do Iluminismo, a inteligência recendia a incenso. Copérnico e Galileu decifraram a harmonia da natureza como reflexo do Criador, e Newton acertou seus cálculos pelos ponteiros dos relógios das catedrais. Depois, o dilúvio inundou os claustros. A razão irrompeu soberana, relegando à superstição tudo que não fosse mensurável. Então, o mistério aflorou.
De que valem perguntas quando se julga possuir todas as respostas? Voltaire e os enciclopedistas ousaram secularizar a inteligência e, mais tarde, Baudelaire e Rimbaud tatearam ávidos em busca de um Deus capaz de aplacar-lhes a sede de Absoluto. Dostoievski revestiu-se da figura emblemática de Jesus, despiu seus monges das vestes eclesiásticas, e escancarou-lhes a alma atormentada pelos demônios da dúvida. Nietzsche roubou o fogo dos deuses e incendiou de liberdade o espírito humano. Sartre proclamou que o inferno são os outros e erigiu o absurdo da morte em ato final que destitui a vida de qualquer sentido.
Entre angústias e utopias, o último século foi também marcado pelo enigma Jesus. Corações e mentes o acolheram como paradigma: Claudel, Simone Weil, François Mauriac, Chesterton, Péguy, Graham Greene, Alberto Schweitzer etc. No Brasil, Murilo Mendes, Sobral Pinto, Gustavo Corção, Tristão de Athayde, Hélio Pellegrino etc.
Hoje, pavores transcendentais já não atribulariam a alma poética de um William Blake. Entre tanta miséria, esvai-se o encanto. Jesus é Deus que se fez homem e, de homem, virou pão. Pai Nosso/pão nosso. Esta concretude assusta. A fé cristã não proclama a ressurreição da alma, mas "da carne". Jesus não é a figura do Olimpo grego enaltecida pela força irrepresável da literatura. É o judeu crucificado, por razões político-religiosas, na Palestina do século I, e cujas aparições, como ressuscitado, contradizem as regras da ficção literária. Que autor criaria um personagem imortal com chagas nas mãos e ansioso por comida? As narrativas evangélicas são, tecnicamente, descrições de um fato objetivo. À luz da fé, proclamação de que Jesus é o Cristo.
Antes de cair em mãos da repressão que o assassinou, Jesus fez-se comida e bebida. Poeta e profeta, dominava a linguagem realista dos símbolos. Eis aqui o desafio atual à inquietude da inteligência. O pão repartido passa a ser corpo divino; o vinho partilhado, aliança feita com sangue e prenúncio da festa sem fim. O Deus de Jesus não é um velho Narciso à cata de adoradores nem um algoz irado com os pecadores. É Abba, o pai amoroso ("mais mãe do que pai", diria João Paulo I), cujo dom maior é a vida.
Já não temos as longas guerras que inquietaram espíritos como Tolstoi e Camus; o que vemos, de Bagdá a Guantánamo, é escabroso comparado à engenharia marcial dos exércitos em conflito: a estrada rumo ao futuro palmilhada de corpos degradados e famintos. Hoje, tropeça-se na rua em seres esquartejados em sua dignidade. Todos os discursos oficiais e todos os ajustes fiscais ofendem a condição humana por exaltarem a concentração do lucro e ignorarem a partilha da vida. Em sua hipocrisia, o sistema salva sua aura cristã e exclui o pão. A metafísica monetarista estabiliza moedas e desestabiliza famílias; reduz a inflação e aumenta a miséria; socorre bancos e multiplica o desemprego; abraça o mercado e despreza o direito à vida - e vida em abundância, para todos.
Agora, a globalização despolitiza, o esoterismo desculpabiliza e o consumismo individualiza. Livres de ideologias messiânicas, de culpas aterrorizadoras e de altruísmo coletivo, estamos à deriva neste início de século, cujas pitonisas proclamam que "a história acabou".
Páscoa é travessia - também para uma ética política, que torne o pão acessível a cada boca e, o vinho, alegria em cada alma. Somos nós que, em vida, precisamos ressuscitar as potencialidades do espírito, premissas e promessas de uma verdadeira dignidade humana. Num misto de Marcel Proust e Caçador da Arca Perdida, necessitamos urgentemente empreender a busca da consciência perdida, onde a solidária indignação contra as injustiças tenha cheiro de madeleines apetitosas. Caso contrário, seremos engolidos por esses simulacros de pirâmides - os shopping centers - que sequer têm estrutura para contar à posteridade quão grande foi a pobreza de espírito de uma geração que tinha, como suprema ambição, meia dúzia de engenhocas eletrônicas.
Frei Betto é escritor, autor de “Treze contos diabólicos e um angélico” (Planeta), entre outros livros. |
Brasil teve 73% do desmatamento da América do Sul, diz FAO - 08/04/07
Brasil teve 73% do desmatamento da América do Sul, diz FAO

O Brasil ainda é o campeão de desmatamento da América do Sul
Eric Brücher Camara de Londres
Um relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e a Alimentação (FAO) publicado nesta terça-feira indica que o Brasil continua como maior desmatador da América do Sul e responde por 73% das perdas florestais na região.
O documento diz que o país registrou um aumento na taxa anual entre 2000 e 2005, em comparação com o período anterior, 1990 a 2000. As perdas anuais passaram de 0,5% a 0,6% da cobertura florestal brasileira.
Em números absolutos, de acordo com a FAO, foram desmatados mais de 31 mil Km² por ano no Brasil entre 2000 e 2005. Em toda a América do Sul, o total desflorestado foi de 42 mil Km² por ano.
Ainda assim, o vice-diretor-geral para Florestas da FAO, Jan Heino, disse à BBC Brasil que acredita que o Brasil pode mudar esse cenário rapidamente e citou a plantação de florestas como um exemplo de sucesso.
"O país fez um progresso notável e está entre os mais avançados do mundo nas técnicas de plantio de novas florestas para substituir colheitas", afirmou Heino.
No mundo
As taxas globais de desflorestamento caíram, segundo a agência da ONU, mas isso graças ao desempenho de alguns países, principalmente na Europa, e da China, que também registrou um aumento na área florestal.
A América do Sul e o Caribe, por outro lado, são as regiões que tiveram as maiores perdas.
Essa área concentra quase metade das florestas do planeta e registrou um aumento nas taxas de desflorestamento entre 2000 e 2005, passando de 0,46 % a 0,51%, segundo o relatório.
Já a África, que responde por 16% da cobertura florestal do mundo, perdeu 9% das suas florestas no mesmo período. 08.04.07.
Fonte. BBCBRASIL.com
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Dupla sobrevive dois meses na selva à base de aranha - 08/04/07
Dupla sobrevive dois meses na selva à base de aranha
Dois turistas que se perderam na selva amazônica da Guiana Francesa sobreviveram por sete semanas comendo carne de tartaruga e aranhas gigantes.

Loic Pillois chegou a Saul e pediu ajuda para resgatar Guilhem
Os franceses Loic Pillois e Guilhem Nayral desapareceram no dia 14 de fevereiro, quando desciam a corredeira de Grand Kanori para o vilarejo de Saul, no centro do território francês, que faz fronteira com o Brasil.
Os homens foram resgatados na quinta-feira, exaustos e desidratados.
O irmão de Guilhem, Gilles, disse que, para sobreviver, "eles comeram sementes de palmeira, insetos, aranhas gigantes e duas tartarugas".
Segundo a agência France Presse, Pillois, 34, foi o primeiro a aparecer em Saul na manhã da quinta-feira, pedindo ajuda às autoridades para resgatar seu amigo Guilhem, 34, que se encontrava seis horas a pé dali.
Um helicóptero foi acionado pela equipe de resgate para buscar o sobrevivente.
Segundo um dos policiais, Guilhem estava "deitado no chão, completamente exausto, muito magro, e desidratado".

"Quando o tomei em meus braços, ele se desmanchou em lágrimas", afirmou.
Pillois confirmou ao canal local RFO que a dieta dos dois havia incluído aranhas venenosas. Eles cortaram árvores para fazer fogo.
Gilles disse que Guilhem estava 20 kg mais magro, e havia perdido a sensibilidade da língua "por causa do veneno de uma aranha que ele comeu sem cozinhar suficientemente".
Cerca de 40 policiais e soldados procuraram a dupla por três semanas, a pé e de helicóptero. As buscas foram suspensas no dia 26 de março.
Os dois sobreviventes tinham mapas e compassos, mas não dispunham de instrumentos de navegação por satélite. 08.04.07.
Fonte: BBCBRASIL.com
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ONU prevê secas e falta de água para mais de um bilhão - 06/04/07
ONU prevê secas e falta de água para mais de um bilhão
Márcia Bizzotto De Bruxelas
Depois de uma semana de reuniões em Bruxelas, os mais de 400 cientistas que participaram da segunda parte de um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) concluíram que mais de 1 bilhão de pessoas poderão sofrer com a falta de água em um futuro próximo e que as populações mais pobres do mundo serão as mais afetadas pelo aquecimento global.
A principal causa será o derretimento precoce da camada de gelo de grandes cadeias de montanhas, como o Himalaia e os Andes, causado pelo aumento da temperatura na Terra.
Elas funcionam como reservatórios, acumulando água em forma de gelo durante o inverno para liberá-la gradualmente com o derretimento no verão - um processo natural fadado a terminar, pois, segundo os cientistas, o derretimento já começou.
De acordo com eles, até o final do século, 75% do gelo dos Alpes poderão ter desaparecido.
Com a aceleração também do derretimento do gelo polar, as regiões costeiras e baixas serão inundadas, obrigando comunidades inteiras a se deslocar.
Biodiversidade O relatório também prevê que, se a temperatura global subir mais de 1,5º C em relação aos índices de 1990, os ecossistemas regionais mudarão a ponto de levar à extinção de cerca de um terço das espécies de animais e plantas do planeta.
O rendimento dos cultivos agrícolas e da pecuária também será afetado, principalmente na América do Sul, África e Ásia. Isso aumentaria a fome e a ocorrência de doenças nas regiões mais pobres do mundo.
Por outro lado, um aumento limitado a 1º C na temperatura global beneficiaria a agricultura da Nova Zelândia, Rússia e América do Norte.
Segundo os cientistas, o aquecimento global já está mudando o cenário mundial e as sociedades deverão enfrentar grandes dificuldades para se adaptar aos impactos da mudança climática, afirma um relatório da ONU divulgado nesta sexta-feira em Bruxelas.
Tomar medidas para a adaptação das sociedades - como sistemas de proteção contra doenças, cheias ou secas, até então consideradas eficientes - já "não serão suficiente para fazer frente a todos os impactos esperados do aquecimento global", alerta o documento.
Relatório A segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) analisa as implicações do aumento de temperatura da Terra em diversas áreas, como economia, ecossistema e saúde humana.
O documento é resultado de uma semana de debates entre 400 especialistas sobre 28 mil dados científicos copilados sobre todo o planeta.
O documento está sendo lançado em quatro partes ao longo deste ano. Na primeira parte, divulgada em fevereiro em Paris, os cientistas projetaram um aumento de até 4º C na temperatura da Terra até o fim deste século e culparam o homem pelo aquecimento global.
Em maio, na Tailândia, o IPCC divulgará a terceira parte, que abordará as formas de impedir o aumento da concentração de gases nocivos ao ambiente.
Fonte: BBC BRASIL.com |
Meio-ambiente: crescem as ameaças sobre os grandes rios do planeta - 06/04/07
| Meio-ambiente: crescem as ameaças sobre os grandes rios do planeta
O aquecimento global não é o único vilão; as barragens, a agricultura, a pecuária, a indústria e a poluição em geral estão esgotando a água potável
Gaëlle Dupont
Trata-se de dez rios, distribuídos por todos os continentes. Os seus nomes evocam a força das águas que correm rumo ao mar. Contudo, eles foram enfraquecidos, poluídos e saqueados. Eles são designados pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) como sendo os "dez rios os mais ameaçados em todo o mundo", num relatório que foi publicado no final de março. Eles constituem "os melhores exemplos dos perigos que rondam todos os cursos de água", explica Jamie Pittock, o diretor do programa desta organização ecologista relativo à água doce.
"Atualmente, está havendo uma focalização da comunidade internacional em torno do acesso à água potável, que levanta a questão das infra-estruturas de abastecimento das populações", prossegue Jamie Pittock. "Se nada for feito, nós corremos riscos de ver ocorrer a aniquilação do recurso natural em si".
No futuro, as necessidades de água seguirão aumentando, enquanto as quantidades utilizáveis terão diminuído. Neste contexto, 40% dos seres humanos do planeta já vivem em regiões confrontadas ao stress hídrico. A população mundial, que é hoje de 6 bilhões, deverá alcançar 9 bilhões em 2050, os quais terão de compartilhar o mesmo volume de água. Ao longo deste mesmo período, se nada for feito, a sua qualidade será alterada por múltiplas fontes de poluição. Além disso, as conseqüências do aquecimento climático pesarão.
Os cientistas do Grupo Intergovernamental de estudos sobre a evolução do clima (Giec), que está reunido até 6 de abril em Bruxelas para estudar as conseqüências do aquecimento, colocam em primeiro lugar as dificuldades com abastecimento em água. Eles prevêem "um aumento da disponibilidade nas latitudes elevadas e em certas regiões tropicais úmidas, e uma redução do recurso nas latitudes médias e nas zonas tropicais secas, que já são zonas de stress hídrico".
As secas e os episódios de precipitações atmosféricas intensas serão cada vez mais numerosos. Os volumes de água armazenados nas geleiras e a quantidade de neve em altitude terão diminuído, o que terá por efeito de reduzir as vazões na primavera e no outono. As necessidades de água para a irrigação das culturas aumentarão. A extensão desses fenômenos dependerá evidentemente da intensidade do aquecimento.
Este último não é o único vilão nesse processo de escassez da água. Os grandes rios, os seus afluentes, as zonas úmidas, os lençóis subterrâneos e os lagos que estão interligados no meio-ambiente vêm sofrendo degradações múltiplas, decorrentes da exploração excessiva que deles faz o homem, ao qual, contudo, eles prestam inúmeros serviços. 70% dos volumes de água doce retirados são utilizados para regar terras irrigadas, que produzem 40% da alimentação mundial. Os peixes de água doce constituem também uma fonte importante de proteínas para as populações pobres do sul do planeta.
Os grandes rios também são utilizados como vias de transporte e fornecem energia. A hidroeletricidade representa 17% da produção mundial, ou seja, a mesma proporção que o gás e a energia nuclear. Eles prestam igualmente serviços, menos visíveis, porém preciosos, tais como a depuração da água e as irrigações decorrentes das enchentes, e abrigam uma parte importante da biodiversidade.
No seu relatório, o WWF classifica as causas da deterioração em categorias distintas. Mas, na maioria dos casos, as ameaças se acumulam sobre um mesmo rio, uma vez que os seus efeitos se conjugam e se amplificam mutuamente.
As barragens, as canalizações e os diques provocam múltiplos danos no meio-ambiente. Ao modificarem o habitat natural das espécies, eles fragilizam a biodiversidade, num processo do qual participam também a pesca excessiva e a invasão de espécies exóticas. A ressecamento das zonas úmidas suprime igualmente "esponjas" que são úteis em caso de enchente. "Não é preciso obrigatoriamente parar com a construção de barragens, mas não é mais possível construí-las em qualquer lugar", afirma Denis Landerbergue, o responsável do programa do WWF relativo às zonas úmidas.
A organização recomenda construir barragens apenas sobre os afluentes, limitar o seu tamanho e prever adaptações destinadas a preservar a circulação da fauna.
As barragens freiam também a evacuação dos poluentes acumulados nos rios, que não raro desempenham o papel de lixões e de esgotos. O Yangtsé (Yangzi Jiang) é o melhor exemplo desta deterioração. Embora ele alimente 40% do território chinês e forneça a água necessária para 70% da produção de arroz, 25 bilhões de toneladas de águas sujas urbanas e industriais nele são derramados todo ano. Esse tipo de contaminação ameaça todos os cursos de água do planeta.
Antes de rejeitá-la no meio natural, a África trata menos de 10% da água que ela utiliza; a América Latina 14%, a Ásia 25%, contra 66% para a Europa e 90% para a América do Norte. No total, 2,4 bilhões de pessoas não dispõem de nenhuma infra-estrutura de saneamento básico.
Contudo, o mais grave dos riscos que ameaçam os grandes rios é muito simplesmente o seu ressecamento. Quatro dentre eles apresentam os sinais típicos dos rios vítimas de uma exploração excessiva: o Rio Grande (México/Estados Unidos), o Ganges (Índia), o Indo (Paquistão) e o Nilo (Egito). Em alguns casos, eles têm dificuldades até mesmo para alcançar o mar. A principal causa disso são práticas agrícolas inadequadas. "Eu vi, na região do lago Chade, imensas superfícies de trigo irrigadas, implantadas por efeito de milhões de dólares investidos a título de ajuda para o desenvolvimento", relata Denis Landenbergue.
O arroz, que é o cereal rei na Ásia, é um grande consumidor de água. A criação do gado, que precisa de uma produção maciça de forragem, consome quantidades ainda maiores do precioso líquido. Por todo lugar, a utilização da água subterrânea vem aumentando, apesar de a sua capacidade de renovação ser muito mais lenta. Neste caso, mais uma vez, os flagelos se conjugam.
Quando uma vazão é fraca demais, as poluições domésticas, urbanas ou industriais não são diluídas nem evacuadas, e a água contaminada alimenta as cidades e o campo. A salinização vai aumentando a jusante dos rios, o que diminui mais ainda a quantidade de água disponível.
As soluções técnicas existem: redução do impacto das construções, quotas de pesca, construção de usinas de depuração das águas usadas, etc. A agricultura está na linha de frente. Segundo afirmam inúmeros especialistas, ela precisa daqui para frente realizar uma "revolução azul", depois da revolução verde, que permitiu um formidável aumento dos rendimentos por meio da química e da seleção das variedades de produtos. Técnicas de irrigação mais eficientes precisam ser generalizadas.
Mas, de modo algum isso seria suficiente. "Trata-se de estudar a implantação das culturas em função das quantidades de água disponíveis, e não o inverso", resume o jornalista inglês Fred Pearce, no seu livro "Quando morrem os grandes rios" (publicado na França pela editora Calmann-Lévy, 2006, 432 págs., 19,50 euros).
Nenhuma dessas soluções pode ser implementada sem que sejam empenhados os meios correspondentes para tanto, nem, sobretudo, sem que haja a vontade política de impor novas regras de partilha da água. As tentativas de questionar métodos antigos, em particular agrícolas, não raro se revelam extremamente difíceis, mesmo quando o diálogo entre os diferentes usuários da água está bastante aprofundado, como é o caso nos países ricos. Ora, na maioria dos países em desenvolvimento, essas instâncias de diálogos nem sequer existem.
Uma fonte de antagonismos em nível local ou nacional, a partilha da água pode transformar-se em conflitos quando ela diz respeito a vários países. Dois grandes rios em cada três são compartilhados por várias nações. Portanto, os motivos para enfrentamentos ocorrerem são numerosos.
"À medida que a penúria for se agravando, as tensões irão aumentando", comenta Denis Landenbergue. "É difícil prever até que ponto. Nós não conhecemos atualmente nenhuma verdadeira guerra da água; o que está havendo são tensões entre os governos, os ministérios". Para os mais otimistas, a água será ao contrário, no futuro, um fator de cooperação. "Mesmo se os espaços de conciliação são difíceis de implantar, não há outra alternativa", avalia Landenbergue. "Nenhuma solução funcionará, em lugar algum, caso ela não for negociada e implementada muito além das fronteiras sociais, econômicas e políticas".
Tradução: Jean-Yves de Neufville
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Conheça a síndrome do desgaste profissional. - 24/03/07
Conheça a síndrome do desgaste profissional

A síndrome de burnout pode causar alterações comportamentais
Na gíria inglesa, burnout identifica os usuários de drogas que se deixaram consumir pelo vício. Ao pé da letra, a expressão significa "combustão completa" e descreve o estado de profundo desgaste profissional a que são acometidos trabalhadores muito dedicados, exigentes e com mania de perfeição. A lista de profissionais propensos a desenvolver o Burnout é extensa e inclui médicos, professores, controladores de tráfego aéreo e agentes penitenciários.
"Normalmente, o burnout ataca tanto jovens que acabaram de ingressar no mercado quanto profissionais mais experientes que atuam em uma mesma empresa há muitos anos. Os primeiros são dotados de grande idealismo, mas suas aspirações muitas vezes não coincidem com a realidade da empresa. Já os segundos sofrem por se sentirem saturados profissionalmente. Por mais que tentem, não conseguem mais dar tanto quanto gostariam", descreve a psicóloga Ana Maria Benevides-Pereira, autora do livro Burnout: Quando o Trabalho Ameaça o Bem-Estar do Trabalhador.
Os sintomas do Burnout são os mais variados possíveis e vão desde manifestações emocionais, como baixa auto-estima, perda de motivação e sentimento de fracasso, até alterações comportamentais, como queda no rendimento, comportamento paranóico ou agressivo e aumento no consumo de álcool, café e remédios.
Uma pesquisa do International Stress Management Association (ISMA), feita em 2002 entre profissionais de nove países, mostra o Brasil no segundo lugar do ranking dos trabalhadores estressados - perde apenas para o Japão. Cerca de 70% da população economicamente ativa sofrem de estresse ocupacional. Desses, 30% são vítimas do Burnout. Não por acaso, o Código Internacional de Doenças (CID) classifica a síndrome como acidente de trabalho.
"Na maioria das vezes, o portador de Burnout tem três caminhos a seguir: ou desiste do emprego e muda de profissão; ou não supera o problema e cai doente; ou, finalmente, enfrenta a situação de forma realista e ressurge das cinzas. Muitos têm dificuldade em delegar funções e acumulam tarefas que fatalmente deixarão de cumprir. É preciso que essas pessoas saibam que o cemitério está cheio de profissionais insubstituíveis", avisa a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Médicos entre as vítimas Por ironia da profissão, os médicos estão entre as maiores vítimas de Burnout. Dona de uma agenda repleta de compromissos e reuniões, a psiquiatra Cristina De Stefano acabou, ao fim de um ano, com uma inflamação na tireóide. Além das 14 horas diárias de trabalho, ainda precisava criar sozinha os filhos adolescentes e cuidar da mãe recém-operada. "Fiquei esperta e aprendi a cuidar mais de mim", ensina ela, que passou a praticar atividades físicas e a fazer trabalhos voluntários.
Na maioria dos casos, o tratamento é essencialmente psicoterápico. Remédios, para atenuar crises de ansiedade e depressão, só em último caso. "A Síndrome de Burnout não acontece subitamente. Por isso, as pessoas precisam estar atentas para evitar que o pior aconteça", alerta Ana Maria Rossi, presidente da ISMA no Brasil.
Desgaste físico e emocional O termo Burnout foi criado pelo psiquiatra inglês Herbert Freundenberg em 1974, quando começou a observar o intenso desgaste físico e emocional dos profissionais que trabalhavam na recuperação de dependentes químicos. A inspiração partiu do título do romance A Burnt-Out Case (Um Caso Liquidado), de Graham Greene. Num trecho, o protagonista Querry diz: "Não me resta praticamente nenhum sentimento pelos seres humanos a não ser pena".
Nos anos 80, a psicóloga americana Christina Maslach realizou um estudo com profissionais da área médica, com o intuito de identificar o modo como lidam com o aspecto emocional do trabalho. Nele, identificou a "despersonalização" como um dos mais evidentes sintomas do Burnout. Em outras palavras: o profissional passa a ignorar chefes, colegas e clientes e a desenvolver características negativas, como cinismo e indiferença.
Prova de fogo para professores Os médicos não são os únicos a sofrer as conseqüências da Síndrome de Burnout. Um estudo feito em outubro pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) revelou que 48% dos 52 mil professores de 1.440 escolas no País sofrem com algum sintoma da doença, como sensação de vazio, comportamento irritadiço e esgotamento nervoso. E mais: 25% deles - o equivalente a um em cada quatro - apresentam o quadro completo da doença.
"O desgaste diário do relacionamento com a turma é a principal causa de Burnout entre professores. Alguns alunos chegam em sala de aula trazendo problemas de casa. Outros fazem questão de demonstrar que não concordam com a nota baixa que tiraram. De um jeito ou de outro, todos descarregam seus ressentimentos em cima do professor", analisa Alexandrina Meleiro.
À primeira vista, a professora Júlia Almeida, 50 anos, não teria do que se queixar. Em vez de agüentar galalaus pirracentos e mal-humorados, ela dava aula para turmas do Jardim de Infância e da 4ª Série da rede municipal. Mesmo assim, ela começou a não saber o que fazer em sala de aula e, pior, a perder a paciência facilmente com os alunos. Tudo por causa, enumera, da baixa remuneração salarial, das péssimas condições de trabalho e do número excessivo de alunos por sala de aula.
"Mal chegava no colégio e a minha vontade era de sair correndo. Quando chegava em casa, caía no choro só de pensar no dia seguinte. Por mais que tentasse, não tinha motivação para planejar as aulas. A sensação era de impotência. O pior é que eu acabava descontando as minhas frustrações no meu marido", brinca ela.
O sofrimento de Júlia só teve fim em 2004, quando ela tomou coragem e pediu transferência de setor. Hoje, em vez de dar aulas, dirige duas creches: "Sempre me considerei uma boa profissional, do tipo que não gosta de faltar ao serviço. Mas, de uns tempos para cá, já não sentia a menor realização. Felizmente, consegui dar uma guinada na minha vida. Voltei a sentir prazer na profissão".
Afastar-se do trabalho é recomendado Há cerca de oito anos, o psiquiatra Paulo Pavão está à frente do setor de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, que oferece assistência psiquiátrica aos funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Entre médicos, professores e outros profissionais de nível médio, como serventes e porteiros, o Pedro Ernesto atende a cerca de 150 servidores estaduais. "Já atendi uma professora que sofria de severa inapetência. Aos poucos, descobri que se tratava, na verdade, de Burnout em conseqüência do assédio moral de uma chefia arbitrária", lembra.
Pavão salienta que a primeira medida a ser tomada é afastar o profissional de seu ambiente de trabalho. A legislação permite, inclusive, que portadores de Burnout tenham direito a licença médica e, em casos considerados mais graves, até a aposentadoria por invalidez. "A melhora do paciente está condicionada à mudança de seu estilo de vida. Muitas vezes, recorremos ao serviço social com o intuito de transferir o profissional de setor ou até mesmo de unidade", pondera. |
Amazônia pode perder um México até 2050. - 24/03/07
Brasília, 18/03/2007
Amazônia pode perder um México até 2050
Se não forem tomadas medidas para deter desmatamento, cobertura florestal vai encolher em 39%, diz estudo encomendado pelo governo
TALITA BEDINELLI da PrimaPagina
Se não forem tomadas medidas para deter o ritmo atual de desmatamento, a cobertura florestal na Amazônia brasileira deve perder 2,1 milhões de quilômetros quadrados até 2050 — uma área maior que a do México. Isso significaria uma redução de 39% em relação ao patamar atual e de mais de 50% em comparação à cobertura original, de pouco mais de 6 milhões de quilômetros quadrados. A avaliação é de um estudo feito pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente.
O relatório, chamado Mudanças Climáticas e seus Efeitos sobre a Biodiversidade Brasileira e coordenado pelo climatologista José Marengo, é um dos oito trabalhos encomendados pelo ministério em 2004, para pautar políticas públicas que diminuam os efeitos do aquecimento global no Brasil. Eles analisam os efeitos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade brasileira, fazem um levantamento da variação climática do país nos últimos anos e projetam os possíveis comportamentos do clima até 2100.
“Se o avanço da fronteira agrícola e da indústria madeireira for mantido nos níveis atuais, a cobertura florestal poderá diminuir dos atuais 5,3 milhões de quilômetros quadrados (85% da área original) para 3,2 milhões de quilômetros quadrados em 2050 (53% da cobertura original)”, afirma o documento, divulgado na terça-feira.
O estudo aponta ainda que a temperatura da Amazônia poderá aumentar, até 2100, entre 3 e 8 graus Celsius. “O aquecimento global vai aumentar as temperaturas na região amazônica, e pode deixar o clima mais seco, provocando a savanização da floresta. Os níveis dos rios podem ter quedas importantes e a secura do ar pode aumentar o risco de incêndios florestais”, avalia.
Se o cenário se confirmar, a Amazônia ficará com um clima semelhante ao do Cerrado (que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a 20% do Brasil). “Essa ‘Amazônia seca’ possui vegetação com maiores índices de evapotranspiração, e seus solos tendem a ficar mais secos durante os meses sem água do que solos de regiões muito úmidas, e isso a torna muito mais vulnerável a incêndios florestais, o principal agente de conversão de floresta em savana”, destaca o documento.
O estudo cita ainda um relatório publicado em 2006 pela organização não-governamental WWF (World Wildlife Found) que aponta que, caso haja uma elevação de 3 graus Celsius na temperatura global, 40% da floresta amazônica poderá se transformar em Cerrado. Mas o documento faz uma ressalva e aponta que existem “incertezas” em relação a essa possibilidade, apesar de elas serem confirmadas por um outro estudo publicado em 2004. Ele menciona ainda que outras pesquisas realizadas na mesma época estimaram que o desmatamento e o aquecimento poderiam converter uma faixa ainda maior da Amazônia: 60% se tornariam Cerrado.
O desmatamento da região, se não diminuir, poderá, junto com o aquecimento global, afetar o clima de outras regiões, como o semi-árido nordestino — justamente a região brasileira que concentra alguns dos piores indicadores sociais do Brasil. “As temperaturas podem aumentar de 2ºC a 5ºC no Nordeste até o final do século 21. A Caatinga será substituída por uma vegetação mais árida. O desmatamento da Amazônia pode deixar o semi-árido mais seco. Com o aquecimento, a evaporação aumenta e a disponibilidade hídrica diminui. O clima mais quente e seco poderia levar a população a migrar para as grandes cidades da região ou para outras regiões, gerando ondas de ‘refugiados ambientais’”, afirma o estudo.
As oito pesquisas foram financiadas por seis instituições: o Ministério do Meio Ambiente, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o Instituto Interamericano de Mudanças Globais e o GEF ( Fundo Global para o Meio Ambiente, na sigla em inglês) — do qual o PNUD é um dos administradores. |
Ratos sabem da própria ignorância, mostra estudo. - 24/03/07
Ratos sabem da própria ignorância, mostra estudo
RAFAEL GARCIA da Folha de S. Paulo
Ter conhecimento sobre a própria sabedoria (ou ignorância) é algo que todas as pessoas já experimentaram. Quando desistimos de responder a uma questão numa prova, por exemplo, nos deparamos com o fenômeno que ficou consagrado numa frase atribuída ao filósofo grego Sócrates ("Só sei que nada sei"). Essa habilidade --a metacognição-- é considerada por muitos cientistas um componente essencial da consciência humana. Um experimento recente, porém, mostra que ratos também têm capacidade de avaliar a própria sabedoria.
O teste com os roedores, elaborado pelos psicólogos Jonathon Crystal e Allison Foote, da Universidade da Geórgia (EUA), consistiu numa espécie de exame estudantil, seguido de uma recompensa. Os ratos tinham de adivinhar se um som emitido pelos pesquisadores deveria ser classificado como "curto" ou "longo", apertando uma das duas alavancas correspondentes na gaiola.
Caso acertassem, os roedores recebiam seis porções de comida; caso errassem, não recebiam nada. Mas os animais podiam optar também por não responder ao teste, quando achavam muito complicado (às vezes era emitido um som mais para "médio", difícil de classificar). No caso de desistência, recebiam três porções de ração.
Ao final do experimento, os pesquisadores constataram que os ratos pareciam saber avaliar o próprio conhecimento sobre duração de sons, e só arriscavam uma resposta quando sabiam que a chance de acertar era alta. Antes de afirmar que isso é sinal de que roedores possuem consciência, porém, Crystal, que publica agora um estudo sobre o assunto na revista "Current Biology" prefere manter cautela.
"Na verdade, não usei o conceito de consciência no artigo. Me concentrei em pedaços de informação" disse o pesquisador à Folha. Como ratos não podem relatar verbalmente uma eventual sensação de consciência, a questão tem de ser abordada aos poucos, justifica Crystal.
"O progresso será feito ao nos focarmos no conhecimento ao qual o animal tem acesso ou não e em como podemos ter evidência disso a partir do comportamento deles", diz. A análise da metacognição foi a abordagem de apenas um dos aspectos da consciência, diz.
A língua da consciência
Para o especialista em comportamento animal César Ades, da USP (Universidade de São Paulo), o experimento ajuda a abordar uma controvérsia atual na filosofia da mente: é preciso possuir linguagem verbal para ser consciente?
"Eu acho que devemos aceitar a existência de níveis de consciência que diferem em complexidade e em alcance", diz. "Experimentos como este mostram que certos níveis de consciência ou de autoconhecimento são partilhados com animais. Nem toda consciência é verbal", continua.
Apesar de muitos donos de animais de estimação atribuírem consciência a seus mascotes, é difícil obter provas científicas sobre a condição subjetiva de um animal que não fala. Uma preocupação de Crystal no experimento foi justamente evitar que o resultado pudesse ter uma interpretação puramente comportamental, ou seja, a de que os ratos tivessem sido "condicionados" a agir daquela maneira.
Se fosse assim, não seria possível afirmar que os animais "sabiam" o que estavam fazendo. Mas quando os ratos de Crystal eram obrigados a passar pelo teste do som --sem a opção de desistir-- o desempenho deles caía consideravelmente, algo que não aconteceria se eles estivessem simplesmente "condicionados". A prova, afinal, convenceu o crivo de revisores da "Current Biology", uma revista científica rigorosa.
Outro fator que fortalece os resultados de Crystal é que a metacognição já havia sido demonstrada em chimpanzés, animais evolutivamente bem mais próximos dos humanos.
A questão, porém, ainda está em aberto para outros animais. "Não acredito que seja possível uma demonstração dessas em peixes ou em abelhas, mas em aves... não sei", diz Ades. "Algumas aves são muito espertas: pombos talvez reagissem como os ratos, ou corvos. Vale a pena fazer o experimento." |
Rio: facção teria meta de matar 150 policiais. - 24/03/07
Rio: facção teria meta de matar 150 policiais
Com 12 PMs mortos em uma semana no Rio, a Subsecretaria Estadual de Inteligência (SSI) e a Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) está em alerta. Segundo inspetores de delegacias das zonas norte e oeste, o Comando Vermelho (CV) teria definido uma meta para os ataques: 150 policiais devem morrer.
Investigações apontam que a Mangueira, um dos maiores redutos do CV, serve de base para os traficantes e é ponto estratégico para ataques. Com base nos locais onde os PMs foram mortos - todos eram lotados no 9º (Rocha Miranda), 16º (Olaria) e 22º (Maré) BPM - a polícia acredita que os ataques tenham relação com as milícias, já que as áreas controladas pelo 16º e 22º batalhões possuem favelas dominadas por milicianos, como a Kelson's, na Penha, e Ramos, no Complexo da Maré.
"O Comando Vermelho foi a quadrilha mais prejudicada pela ação das milícias. A que mais perdeu espaço", diz o comandante do 22º BPM, coronel Ruy Loury.
Milícias
As milícias são grupos de policiais que expulsam traficantes de favelas e ocupam a comunidade, cobrando taxas pelo serviço de segurança à população carente. Elas também oferecem serviços clandestinos de TV a cabo dentro das favelas e costumam cobrar taxas sobre o preço do botijão da gás.
Cautela
Publicamente, a cúpula da Segurança Pública no Estado age com cautela. O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, informou, por meio de assessoria, que as suspeitas de nova onda de ataques contra policiais surgida na noite de quarta-feira não passaram de boatos. Não houve, segundo o secretário, uma ordem expressa da cúpula de Segurança Pública para que os policiais mudassem de conduta. No entanto, os PMs passaram a andar em comboio e as cabines foram desocupadas.
Comandante-geral da PM, o coronel Ubiratan Ângelo, acredita que os recentes assassinatos de PMs não estejam ligados entre si. "Vejo casos isolados. Só o caso de Irajá teve características de ataque a policiais", disse, referindo-se à morte de dois PMs que foram fuzilados em uma patrulha, na semana passada. |
Índio usa internet contra crime ambiental. - 24/03/07
Índio usa internet contra crime ambiental
Projeto pretende conectar à rede 400 mil indígenas, quilombolas e outras comunidades isoladas, para que ajudem a fiscalizar floresta
TALITA BEDINELLI da PrimaPagina
Cerca de 400 mil índios, ribeirinhos, quilombolas e pessoas que vivem em áreas de proteção ambiental vão poder denunciar pela internet invasões e crimes contra a natureza. Eles moram no entorno ou em uma das 150 comunidades tradicionais brasileiras que ficam em regiões afastadas e que receberão neste ano sinais de satélite para o acesso à rede de computadores. A iniciativa faz parte de um programa de inclusão digital que busca beneficiar regiões de baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais, desenvolvido pelo PNUD e parceiros).
O Gesac (Programa Governo Eletrônico - Serviçoi de Atendimento ao Cidadão), do Ministério das Comunicações, leva desde 2003, para comunidades pobres, antenas e provedores de acesso à internet, além de uma plataforma com serviços públicos — que permite tirar RG, acessar dados da Previdência Social e contatar a Polícia Federal e o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), entre outras utilidades.
“Esperamos que essas regiões se tornem espaços vivos de educação ambiental e de transformação. Queremos que eles estejam vinculados com o poder público. Para isso, eles precisam ter mais informações e formas de denunciar. É muito favorável que eles estejam engajados, com mais informações e condições de poder sobre a gestão”, diz o técnico da Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Francisco de Assis Morais. O projeto, segundo ele, é uma demanda da Rede Povos da Floresta, uma organização derivada da Aliança dos Povos da Floresta — que foi criada nos anos 80 por Chico Mendes e outros seringueiros e lideranças indígenas, com o objetivo de fortalecer as ações em prol do meio ambiente e dos povos tradicionais.
Desde 2003, a Rede investe em ações que buscam levar internet a índios, quilombolas, ribeirinhos e populações extrativistas. Ela entrou em contato com o governo federal em 2005 para ampliar o número de povos com acesso ao mundo virtual. “Em 2003, houve uma crise com os ashaninka, [tribo indígena] que vivem na fronteira com o Peru. Madeireiros peruanos invadiram suas terras. Por meio de e-mails enviados pelos índios para a Polícia Federal, IBAMA, Ministério do Meio Ambiente e FUNAI [Fundação Nacional do Índio], foi possível fazer um acordo e resolver a questão. Eles perceberam a importância da internet”, conta Morais.
Com a ajuda da ONG, aponta o técnico do Ministério do Meio Ambiente, foi feito um levantamento para identificar as comunidades que poderiam ser beneficiadas. “Cadastramos inicialmente 113 comunidades. Agora chegamos a 130. Não é muito fácil fazer o levantamento, mas essa é a primeira vez no Brasil que se cadastrou um número tão grande de comunidades [tradicionais] para inclusão digital”, diz. De acordo com ele, a meta é contemplar 150 grupos.
Os primeiros grupos estão sendo selecionados com base na infra-estrutura que têm disponível. Como a iniciativa não entregará computadores ou construirá salas, as comunidades precisam já possuir as máquinas e o espaço — critério que exclui dois terços dos cadastrados. “A gente começa a implantar por onde já há condições. A própria Rede e as comunidades vão captar computadores por meio de parcerias”, adianta Morais. Outro fator de seleção é a localização dos povos. “Uma região de fronteira é mais delicada, pouco habitada, com poucos orelhões”.
Entre algumas comunidades já selecionadas estão quilombolas, indígenas e habitantes das florestas nacionais que ficam dentro do Distrito Florestal Sustentável da BR-163, no Pará — região delimitada em fevereiro de 2006 pelo governo federal para prevenir e controlar o desmatamento e que tem ações desenvolvidas com o apoio do PNUD. |
Milícia vende arma e droga no Rio, aponta inquérito. - 24/03/07
Milícia vende arma e droga no Rio, aponta inquérito
MARIO HUGO MONKEN da Folha de S.Paulo, no Rio
Um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar revela que policiais que comandam milícias na favela Vila do Sapê e no morro do Jordão, em Jacarepaguá (zona oeste do Rio), vendem armas e drogas para traficantes e praticam estupros.
É a primeira investigação oficial da corporação sobre o envolvimento de PMs com milícias que vem à tona citando nomes de suspeitos e o modus operandi das quadrilhas.
Segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, há provas de que pelo menos 100 policiais estão atuando em milícias no Rio.
Os crimes apontados no inquérito contrariam a filosofia pregada pelos milicianos, que expulsariam traficantes das favelas e, em seguida, proibiriam a prática de delitos nas comunidades dominadas.
A investigação aponta os nomes de oito PMs envolvidos --sendo que dois já foram assassinados-- além de apelidos de outros sete. Quatro dos acusados estão presos e respondem a conselho disciplinar na corregedoria, o que pode levá-los à expulsão da corporação.
No morro do Jordão, são sete o número de PMs acusados de comandar a milícia. O poder está dividido, o que tem provocado confrontos entre os grupos -foi no Jordão que morreram dois policiais.
Segundo o relato de testemunhas, os suspeitos apreenderiam drogas com os viciados na comunidade só para vendê-las para traficantes. E pretendem ainda instalar uma boca-de-fumo no Jordão.
Consta no inquérito que os policiais cobram propinas de traficantes de outras favelas de Jacarepaguá, vendem armas para eles, além de prendê-los e exigir dinheiro para os soltar. São acusados ainda de manter, na comunidade, uma central para a realização de extorsões por telefone.
Assassinatos
A investigação da polícia indica que o grupo seria responsável pelos assassinatos do dono de uma padaria, por causa de uma dívida, e do vigilante André Luiz Leão Vandeli.
Na vizinha Vila do Sapê, a milícia seria comandada por pelo menos dez PMs, sendo que alguns também agem no Jordão.
De acordo com informações colhidas pela polícia, os envolvidos são acusados de estupros, já torturaram um morador que foi encontrado fumando maconha em casa e agrediram um outro porque ele estava com o som em volume alto.
Os policiais cobrariam taxas semanais de R$ 20 a R$ 30 de proprietários de barracas e R$ 5 de moradores. Exigem ainda R$ 60 (R$ 30 de cada time) para a utilização do campo de futebol da comunidade.
Fragmentos de ossos
A Delegacia de Homicídios Oeste está investigando ainda uma denúncia de que essas milícias mantêm um cemitério clandestino em Jacarepaguá, onde estariam enterrados mais de 30 corpos.
Anteontem, a delegacia encontrou fragmentos de ossos queimados e um microondas (restos de pneus queimados) no morro da Covanca, em Jacarepaguá. A suspeita é de que as milícias poderiam estar usando o local para queimar pessoas.
Na semana passada, a Corregedoria da corporação prendeu 23 policiais militares de dois batalhões suspeitos de integrarem uma milícia que atuaria em quatro municípios da Região dos Lagos (litoral fluminense).
Os suspeitos foram soltos, mas poderão ser presos novamente porque o órgão diz já ter provas de que eles controlam redes clandestinas de tevê a cabo e são proprietários de uma empresa de segurança ilegal, que cobra taxas de moradores e comerciantes. |
Planeta registra janeiro mais quente da história. - 17/02/07
Planeta registra janeiro mais quente da história, diz cientista da France Presse, em Nova York.
As temperaturas mundiais registradas em janeiro foram as mais altas da história já registradas neste período do ano, anunciaram cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica americana (NOAA, sigla em inglês) --há registros da temperatura do planeta desde 1880.
"As temperaturas mundiais terrestres e da superfície dos oceanos foram as mais elevadas registradas para um mês de janeiro", disse o organismo em um comunicado, citando cientistas de seu centro de dados climáticos.
De acordo com relatórios preliminares, em janeiro, as temperaturas ficaram 0,85ºC acima da média do século 20, batendo o recorde estabelecido em 2002, de 0,71ºC sobre a média.
Em particular, as temperaturas terrestres estavam 1,89ºC acima da sua média em janeiro, um nível recorde, enquanto as temperaturas oceânicas eram as quartas mais quentes já registadas em 128 anos, ou seja 0,1ºC abaixo do recorde estabelecido em 1998, no auge do fenômeno El Niño.
"O fenômeno El Niño e a tendência contínua para o aquecimento climático contribuíram para que o mês de janeiro de 2007 fosse o mais quente já conhecido", explicou a NOAA em sua declaração.
No último século, as temperaturas mundiais na superfície subiram a um ritmo de 0,06ºC a cada dez anos, mas o aumento foi três vezes mais elevado desde 1976, a 0,18ºC a cada década, com alguns dos mais fortes aumentos de temperatura nas elevadas latitudes do hemisfério Norte ou perto do pólo Norte.
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Morre na China o único panda branco e marrom do mundo - 08/02/07
Morre na China o único panda branco e marrom do mundo
Qin Qin, o único panda branco e marrom do mundo, morreu sem deixar filhotes num zoológico da província chinesa de Shaanxi, no norte do país, informou hoje o jornal "China Daily".
A morte repentina do animal, na madrugada de quarta-feira, surpreendeu os tratadores do zôo. Na véspera, ele não mostrou nenhum sintoma de doença, brincou como era seu costume e comeu frutas e pasta de arroz.
Os médicos da reserva acreditam que Qin Qin, um macho de 17 anos, pode ter morrido de um edema pulmonar. Uma autópsia vai determinar a causa exata de sua morte.
Qin Qin pesava 100 quilos e media 1,72 metro. Ele era filho de Wan Wan, um panda macho branco e preto, e Dan Dan, uma fêmea branca e marrom.
Apesar de sua idade, Qin Qin nunca tinha cruzado. Os cientistas do Parque de Qinling, em Xian, começaram em fevereiro a busca de uma possível "namorada" para o raro animal, com a esperança de preservar os seus genes.
A busca não deu resultados. Então, os especialistas tinham decidido inseminar artificialmente alguma fêmea de outra reserva com o esperma do panda. O projeto estava agendado para a próxima primavera, período de maior atividade sexual dos pandas.
Segundo a Administração Florestal Estatal e o grupo ambientalista WWF, cerca de 1.600 pandas gigantes, uma das espécies em maior perigo de extinção do planeta, vivem nas montanhas da província de Sichuan (sudoeste) e nos montes Qinling.
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Brasil já sente efeitos do aquecimento global - 08/02/07
Brasil já sente efeitos do aquecimento
A ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, através de seu diretor, Roberto Smeraldi, divulgou análise a respeito do relatório do grupo I do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para o quarto relatório de avaliação do órgão, divulgado em Paris:
"O relatório apresentado pelos cientistas representa um verdadeiro divisor de água: até agora, a comunidade internacional tratava dos impactos da mudança climática como uma ameaça, uma previsão, uma tendência. A partir de agora, teremos que enfrentar isso como uma realidade, que poderá ao longo do século piorar muito ou pouco, mas sem chances sequer de estabilizar.
A constatação de que nos últimos 12 anos ocorreram 11 dos 12 anos mais quentes da história da medição (desde 1850), com um legado de eventos extremos em andamento, mostra que o foco da discussão não é mais sobre a preocupação para o futuro, e sim sobre a mitigação do prejuízo atual. E isso se torna claro nos cenários adotados: mesmo aquele de uma economia altamente sustentável, baseada no abandono dos fósseis e em soluções de consumo eficientes e locais, traz uma projeção de aumento médio de mais 2,5 graus centígrados.
Segundo a análise da ONG “há uma imagem chocante para nós brasileiros, mostrando que a vulnerabilidade do país vai muito além da faixa costeira. No cenário global de precipitação, o Brasil é o país mais afetado do mundo no que diz respeito ao período junho-agosto, que já é o mais crítico (são afetados no mesmo nível apenas os países mediterrâneos, do Caribe, África do Sul e Nova Zelândia). A maioria do território brasileiro irá sofrer uma redução de chuva, nesta época do ano, de mais 20%, e o resto do país na faixa de 10% , além do que já sofreu até hoje. Já no outro período considerado, o de dezembro-fevereiro, não há certeza sobre a tendência no Brasil, pois os modelos utilizados não atingem uma concordância de pelo menos 66%”.
Roberto Smeraldi diz que a pergunta é: quais setores da economia estão preparados para lidar com os impactos decorrentes, tais como produção agrícola e florestal, geração hidroeletrica, construção civil, seguros; e obviamente o setor financeiro, que assume os riscos deles todos?" |
Brasil reduziu desigualdade e pobreza - 08/02/07
Relatório do Pnud mostra que Brasil reduziu desigualdade e pobreza
da Folha Online
O RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) 2006 mostra o Brasil como exemplo de melhoria na distribuição de renda. Segundo o documento, nos últimos cinco anos, o Brasil --um dos países mais desiguais do mundo-- tem combinado um sólido desempenho econômico com declínio na desigualdade de rendimentos e na pobreza.
Hoje, o Brasil é o 10º mais desigual numa lista com 126 países e territórios. Ele está melhor que Colômbia, Bolívia, Haiti e seis países da África Subsaariana, aponta o relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
De acordo com o documento, os avanços ainda tiraram o Brasil da penúltima posição no ranking de distribuição de renda da América Latina --no último relatório, só a Guatemala estava em situação pior.
Apesar de os progressos terem permitido que o indicador brasileiro superasse o colombiano, duas colocações foram ganhas graças à intensa ampliação do fosso de renda entre pobres e ricos na Bolívia e à entrada do Haiti no ranking. A Guatemala passou da primeira para a sétima posição na lista dos piores da região, superando até o Chile.
O desempenho brasileiro é avaliado no relatório principalmente com base no índice de Gini --indicador de desigualdade de renda que varia de 0 a 1, sendo 0 em uma situação na qual toda a população possuísse uma renda equivalente, e 1 se apenas uma pessoa detivesse toda a riqueza do país.
No relatório, o índice do Brasil é 0,580, menor que o da Colômbia (0,586, 9ª no ranking dos piores) e pouco maior que os de África do Sul e Paraguai (0,578, empatados na 11ª colocação).
Bolsa Família
O documento destaca o programa Bolsa Família como um dos responsáveis pelos avanços do Brasil. No entanto, o país ainda é mais desigual do que todos os países com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) superior ao seu --o que mais se aproxima é o Chile.
Além disso, em apenas oito países os 10% mais ricos da população se apropriam de uma fatia da renda nacional maior que a dos ricos brasileiros. No Brasil, eles abocanham 45,8% da renda, menos que no Chile (47%), Colômbia (46,9), Haiti (47,7), Lesoto (48,3%), Botsuana (56,6%), Suazilândia (50,2%), Namíbia (64,5%) e República Centro-Africana (47,7%).
No outro extremo, só em sete países a parcela da riqueza apropriada pelos 10% mais pobres é menor que no Brasil. Os pobres brasileiros detêm apenas 0,8% da renda, fatia superior à dos pobres de Colômbia, El Salvador e Botsuana (0,7%), Paraguai (0,6%), e Namíbia, Serra Leoa e Lesoto (0,5%).
A comparação entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres mostra que, no Brasil, a fatia da renda obtida pelo quinto mais rico da população (62,1%) é quase 24 vezes maior do que a fatia de renda do quinto mais pobre (2,6%).
Fonte: Folha Online 09.11.2006 |
Amazônia Invadida! - 07/02/07
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Amazônia Invadida !
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| Data: 7/2/2007 |
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Texto de Armando Barreto - Macaé Jornal
Não há mais dúvida, levantamentos feitos por instituições e até mesmo pela Agência Brasileira de Informações (Abin) provam que as selvas Amazônicas foram invadidas por empresas de vários países interessadas em nossa biodiversidade. Fugindo de sua responsabilidade, o governo federal abre brecha para a desnacionalização daquele rico e importante ambiente, sugerindo esdrúxula alternativa o aluguel, por 40 anos, de áreas nobres.
ALIENÍGENAS INVADEM A AMAZÔNIA E GOVERNO NÃO REAGE
Está faltando um nacionalista peitudo como Hugo Chávez
Quem fala sobre isso não é o nosso colaborador e ufólogo macaense Lafayette Fernandes Pimentel, mas autoridades da Agência Brasileira de Informãção (Abin), a Polícia Federal, políticos nacionalistas amazonenses e o próprio Ministério do Meio Ambiente, assustados com o número de ONGs (NGOs) e de instituições americanas, alemães, inglesas, francesas e italianas que, a pretexto de atividades ambientalistas e de ajuda humanitária às comunidades indígenas, estão adquirindo grandes áreas, fazendo pesquisas sobre nossas riquezas minerais e biopirataria.
O governo já perdeu o controle sobre a atuação das ONGs (NGOs), que proliferam como soja invadindo a floresta, pois já são mais de 275 mil em todo o Brasil, segundo levantamento feito pelo IBGE em 2002.
Enquanto nossos representantes no Congresso Nacional se ocupam e disputam com sofreguidão parcelas de poder para futuramente negociar vantagens; empresas, instituições e entidades pseudo-religiosas estrangeiras aliciam comunidades indígenas e se instalam em suas áreas, chegando a colocar placas proibindo a entrada de brasileiro, mas parece que o governo não conseguiu ainda alcançar a extensão desse perigo para o país, como já disse o político democrata americano Al Gore, que disputou com Bush a presidência dos Estados Unidos, "a Amazônia não é só dos brasileiros, mas de todos nós". - "Todos nós quem, cara pálida?" - pergunta um pesquisador brasileiro preocupado com a grave situação. Certamente são eles, os americanos e alguns de seus aliados, que se colocam como defensores do meio ambiente, só que nas terras dos outros, pois são eles os grandes responsáveis pelo preocupante efeito estufa.
De olho em nossa riqueza natural, criaram uma esperta justificativa para uma futura internacionalização da imensidão verde, dizendo que a Amazônia é o pulmão do mundo. E como o Brasil dá provas de que não se importa muito com a preservação de suas belas matas e a rica biodiversidade, em processo rápida de invasão também pela soja e de destruição por madereiros, é justo que nações intervenham para assegurar esse "patrimônio da humanidade", alegam eles.
PROIBIDA A ENTRADA DE BRASILEIROS
Este assunto é tão grave que, segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Rogério Magalhães, há áreas na Amazônia que brasileiro está impedido de ter acesso, citando, conforme publica o JB, o Instituto Norte-Americano Smithsonian como exemplo. Enquanto laboratórios brasileiros são obrigados a esperar longo tempo para conseguir licença para pesquisa, os estrangeiros obtém com a maior facilidade. Isso prova qu o dólar é a "chave mágica" que consegue abrir muitas portas fechadas somente aos técnicos e cientistas brasileiros que querem acesso livre ao nosso patrimônio genético.
PROJETO CALHA NORTE
A falta de ação do governo brasileiro deu brecha para que, em 2002 (FHC), a empresa japonesa Asahi Foods registrasse a marca "cupuaçu", que felizmente, por razões óbvias, perdeu o direito à patente em 2004. Mas tem briga jurídica ainda em relação ao açaí. Isso poderia ser evitado se o governo pusesse em prática o projeto calha norte, criado na época da ditadura, criando condições para fixação do exército em nossas fronteira.
CHANTAGEM BRITÂNICA
As pressões são de várias formas e vêm de todos os lados acima do equador, até mesmo do Greenpeace, envolvido numa espécie de máfia do verde, usando o combate à expansão da soja como justificativa para uma intervenção. a ONG/NGO britânica Survival International, por exemplo, já insinuou que, para assumir cadeira no conselho de Segurança na ONU, o governo brasileiro deve se mostrar ecologicamente correto.
PUNINDO OS RICOS
Já que o grito dos excluídos e dos países emergentes não sensibilizam os paízes ricos, que continuam interessados apenas em aumentar a riqueza com indústrias poluentes, talvez a natureza se manifestando de forma violenta possa fazê-los entender que o clima do planeta é, sim, de todos, e que são eles os principais responsáveis pelos futuros desastres ambientais. O grande problema não é o terrorismo, como quer Bush, e sim a escassez de água, que já coloca certas regiões da Austrália num terrível dilema: ter que beber água de esgoto reciclado. O governador do Estado de Queensland, Peter Battie, anunciou que é o maior desafio que a Austrália enfrenta e que serão necessários investimentos de US$ 7 bilhões para buscar uma saída. Mas sem chuva não há outra solução: bebe-se água de esgoto reciclado ou morre.
SOLUÇÃO DE LULA PARA A SELVA
Com os quatro anos do governo petista, já deu para ver que a reforma agrária e a questão ambiental não são mais assuntos que atrai em Lula, ficaram retidos no tempo dos protestos de rua e das utopias. Por isso, como a cobiçada Amazônia é, na cabeça dele, um assunto indigesto, de dificel controle, e não um complexo e rico potencial natural a ser explorado pelos nossos cientistas e pesqusadores, a alternativa que o governo federal apresenta é firmar contrato de concessão de trechos da floresta para iniciativa privada, por um prazo de 40 (quarenta!) anos.
Como era de se esperar, tal projeto vem recebendo reação de pesquisadores, cientistas e políticos nacionalistas (e ecologistas!), porque o vêem como uma perigosa abertura para que empresas estrangeiras consigam o que elas realmente querem, agora sob amparo legal, que é a desnacionalização de importantes e promissoras áreas da floresta para exploração sem nenhum obstáculo.
A ministra do Meio Ambiente Marina da Silva, embora com sua história de luta pela preservação como Chico Mendes, não tem força suficiente para enfrentar grandes interesses envolvidos e o poder que o dinheiro tem de aliciamento. Então, é preciso que as forças armadas, as lideranças políticas, órgãos ambientalistas e as cabeças privilegiadas de nossa ciência se unam em protesto, porque a invasão da Amazônia já é um sério problema de segurança nacional. | |
A pensão alimentícia para os filhos menores - 07/01/07
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A pensão alimentícia para os filhos menores Dr. Paulo Arnaldo Junqueira – Promotor de Justiça
O dever de prestar alimentos é bem mais amplo do que normalmente tem ciência a grande maioria da população. Além da questão moral, temos todos a obrigação legal de prestar assistência alimentícia aos parentes, companheiros, esposas e maridos.
Destacarei neste momento apenas os alimentos devidos aos filhos menores de 18 anos, que é a questão mais frequentemente levada à Justiça, pois é relevante o número de pessoas que não se preocupam em cumprir voluntariamente o dever de prestar assistência à prole. Pelo contrário, impressiona o número de pais que lançam mão de justificativas inusitadas para se eximirem da obrigação.
Diferentemente do que muitos pensam, tanto a mulher quanto o homem são iguais também nesse aspecto e ambos compartilham, na proporção de suas capacidades, o ônus decorrente da maternidade ou paternidade, independentemente da relação jurídica ou afetiva entre eles.
Alguns esclarecimentos básicos me parecem úteis, diante da inevitável enxurrada de dúvidas que as pessoas normalmente tentam dirimir na Promotoria de Justiça. Dentre eles cito os seguintes:
- Não existe um valor legal mínimo que se deve pagar a título de alimentos, sendo que ele depende da capacidade do alimentante e da necessidade do alimentado. Aquela estória de arrancar até o último centavo do alimentante não procede. Ninguém dá o que não tem e nem pode ser privado do mínimo necessário à própria sobrevivência.
- A pensão alimentícia não se limita apenas ao suficiente para a comida, mas deve proporcionar também, resguardadas as limitações individuais, o padrão de vida, a educação, a saúde e as demais necessidades dos menores.
- A superveniência de outros filhos não é motivo para a exoneração da pensão alimentícia. Antes de se exercer o direito de refazer a vida ou aumentar a prole, cada um deve primeiramente ter responsabilidade e pesar se tal ato não irá comprometer o dever de prestar assistência aos filhos preexistentes. A lei não protege qualquer diferenciação entre filhos, sendo todos iguais.
- O fato de um dos pais viver em companhia de outra pessoa e não precisar da ajuda do outro não desobriga à prestação alimentícia. Ninguém pode renunciar em nome de menores o direito a alimentos. Pode, no máximo, deixar de exercer o direito.
- O devedor que injustificadamente não pagar a pensão pode ser preso. De bom alvitre ressaltar que a prisão não é uma punição, mas um meio de compelir ao cumprimento da obrigação. Conveniente observar que a dívida capaz de ensejar a prisão não pode ser antiga, devendo se referir aos 03 últimos meses em atraso.
- O salário do devedor pode ser penhorado. Apesar de alguns bens e direitos não poderem, em princípio, garantir o pagamento de dívidas, tal regra não se aplica ao alimentos. Na prática, isso significa que parte do salário do devedor pode ser direcionado aos filhos para pagamento da pensão em atraso.
A necessidade aos alimentos é presumida com relação aos filhos menores, sejam eles fruto do amor, da aventura, da inconseqüência, da imaturidade, da ignorância e até mesmo da irresponsabilidade. Não devem os pais transmitir aos filhos as frustrações, o desamor e a instabilidade que eventualmente impediram a convivência harmônica entre eles.
Fonte: Folha de Ibirité - Outubro/Novembro de 2006 - Coluna Direito da Cidadania |
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